Outro dia ao visitar o cantinho temático sobre Nietzsche na livraria Travessa no Shoping Leblon me deparei com um título curioso: Nietzsche e o demônio do meio-dia, de . A toxina do botulismo é muito usada atualmente para retesar a testa das madames mas as citações sobre o botulismo, uma corrente inaugurada por Botul, um "escritor da tradição oral", ao contrário, faziam minha testa franzir aos efeitos das referências um tanto copiosas a respeito de Botul numa supeitosa atitude um tanto inconsciente. Dizem que a mentira é sempre mais elaborada do que a "verdade". E que a vontade de verdade, que nós faz sempre tentar dar sentido a tudo e principalmente às coisas vertidas no papel, colabora para o engano e o erro. O papel aceita tudo e tudo aceitamos desde que já aceito pelo papel. Talvez com base nessas premissas foi que Frédéric Pagès escreveu sob o heterônimo de Botul o fake citado. O embuste foi bem arquitetado sendo a editora uma casa respeitada na veiculação de obras sérias e o editor garante que, apesar do engano, os fatos contidos no livro são fidedignos. Até algumas resenhas sobre a obra na imprensa foram feitas de forma ingênua sem perceber que Botul nunca existiu. Eu particularmente gostei do livro e já o tinha colocado na minha wish list (e ainda o mantenho lá) antes de pesquisar na Internet e encontrar as evidências da razão da minha desconfiança. Folheando o livro achei que é uma obra de sátira interessante e com considerações pertinentes, na minha opinião, sobre Lou Salomé, a amada de Nietzsche. Botul tem outros títulos e o próprio Pagès já escreveu outra obra satírica sem a máscara do heterônimo.
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